As coisas estão meio paradas por aqui nos últimos dias, mas por um bom motivo: boa parte dos nossos instrutores foi convidada para participar do DevOpsDays Genebra 2026. E quando um grupo de profissionais de DevOps, Cloud, SRE e plataformas se reúne por dois dias para falar de automação, IA, soberania digital, Kubernetes, segurança, GreenOps e cultura, não dá para voltar igual.
O evento aconteceu nos dias 21 e 22 de maio de 2026, em Genebra, na Suíça, e fez parte da série global DevOpsDays, uma comunidade voltada para pessoas interessadas em melhorar práticas de TI, colaboração e entrega de software.
E já começo com uma lição bem prática: sabemos da importância do inglês para a nossa área, mas se você puder aprender francês também, aprenda! A gente passou um certo aperto por não falar francês fluente aqui… hahaha. Inglês abre muita porta, sem dúvida. Mas em eventos locais na Europa, o idioma da comunidade importa muito. E isso também é DevOps: contexto, comunicação e colaboração.
DevOps não morreu. Ele amadureceu.
Muita gente ainda tenta resumir DevOps a pipeline, Docker, Kubernetes ou Terraform. Mas, olhando para a programação do DevOpsDays Genebra, fica claro que o mercado já passou dessa fase.
Os temas foram muito além de ferramenta. Tivemos discussões sobre IA em operações, soberania digital, impacto ambiental, segurança, MCP, APIs, Kubernetes, Cilium, GreenOps, automação com RAG/LLM e até sobre como máquinas agora também são “usuários” dos nossos sistemas. O evento destacou justamente essa mistura entre cultura, automação, cloud infrastructure, segurança, platform engineering e resiliência.
Na prática, a primeira grande lição foi esta: DevOps deixou de ser apenas uma forma de entregar software mais rápido. Agora é uma disciplina central para operar sistemas complexos com segurança, eficiência e responsabilidade.
IA entrou de vez na conversa, mas não como mágica
Um dos pontos mais fortes do evento foi perceber como a IA apareceu em várias trilhas, mas de uma forma bem diferente do hype tradicional.
Não era aquela conversa rasa de “coloque IA em tudo e seus problemas acabam”. Pelo contrário. As palestras passaram por temas como root cause analysis com RAG/LLM, multi-agent AI em Kubernetes, IA soberana, MCP, APIs e impacto da IA em times técnicos.
O ponto é: IA está entrando no mundo DevOps não para substituir fundamentos, mas para ampliar a capacidade de análise, automação e tomada de decisão.
Na prática, isso significa que o profissional de DevOps precisa entender pelo menos três coisas:
Primeiro, como usar IA para acelerar investigação de incidentes, análise de logs, documentação e troubleshooting.
Segundo, como operar infraestrutura para aplicações baseadas em IA, incluindo GPU, storage, segurança, rede, custo e observabilidade.
Terceiro, como separar automação útil de automação perigosa. Porque acelerar o problema errado continua sendo acelerar o problema errado.
Uma das provocações mais importantes foi exatamente essa: a IA pode nos deixar mais rápidos, mas isso não significa que estamos resolvendo o problema certo.
Kubernetes continua relevante, mas o jogo mudou
Também ficou claro que Kubernetes ainda é uma peça muito relevante no ecossistema moderno. Mas a conversa amadureceu.
Não é mais só “como subir um cluster”. Agora falamos de segurança, eBPF, Cilium, CTF em Kubernetes, operações com agentes de IA, governança, resiliência e experiência de plataforma.
Isso conversa muito com o que vemos no dia a dia. Muita empresa já adotou Kubernetes, mas ainda sofre com operação, troubleshooting, custos, permissões, observabilidade e padrões de entrega.
Em outras palavras: saber criar um deployment é importante, mas o mercado quer cada vez mais alguém que consiga responder perguntas como:
“Como eu protejo esse cluster?”
“Como eu observo o tráfego?”
“Como eu reduzo custo sem comprometer disponibilidade?”
“Como eu padronizo entrega para múltiplos times?”
“Como eu deixo a plataforma simples para o desenvolvedor usar?”
Esse é o nível da conversa hoje.
GreenOps e eficiência deixaram de ser assunto secundário
Outro aprendizado importante foi a força dos temas ligados a GreenOps, eficiência e impacto ambiental.
Quando aparece uma palestra falando de “50TB memory diet” em uma plataforma de escala petabyte, isso mostra uma mudança clara de mentalidade. Não basta mais colocar mais máquina, mais memória e mais dinheiros em cima do problema.
Na prática, performance, custo e sustentabilidade estão começando a andar juntos.
E aqui tem uma lição muito importante para quem está começando ou evoluindo na área: otimização não é só economizar dinheiro. É também reduzir desperdício técnico!
- Cloud mal configurada custa caro
- Pipeline mal desenhado custa caro
- Log sem retenção controlada custa caro
- Cluster superdimensionado custa caro
- Aplicação ineficiente custa caro
O profissional que entende infraestrutura, mas também entende custo, impacto e eficiência, ganha um diferencial enorme.
Soberania digital entrou no centro da arquitetura
Outro tema que apareceu com força foi soberania digital. E isso não é papo distante, principalmente para quem trabalha com cloud, dados, segurança e ambientes regulados.
Quando falamos de soberania digital, estamos falando de perguntas como:
- Onde meus dados estão?
- Quem controla minha infraestrutura?
- Quais fornecedores fazem parte da minha cadeia crítica?
- Como eu reduzo dependência sem perder velocidade?
- Como eu desenho sistemas resilientes em um mundo com riscos regulatórios, geopolíticos e operacionais?
Na prática, isso afeta decisões de cloud provider, região, backup, disaster recovery, criptografia, identidade, logs, compliance e governança.
Para quem trabalha com DevOps, SRE ou Cloud, esse assunto vai aparecer cada vez mais. Não basta saber provisionar recurso. Você precisa entender o contexto de risco da arquitetura.
Open Spaces lembram uma coisa simples: comunidade acelera aprendizado
Uma parte muito legal do DevOpsDays é o formato de Open Spaces, onde os participantes ajudam a moldar as conversas. Esse formato faz parte da proposta do evento, que combina palestras, workshops e discussões interativas.
E aqui vem uma lição que parece simples, mas muita gente esquece: comunidade técnica encurta caminho.
Você aprende muito em documentação, curso e laboratório. Mas quando conversa com quem está operando sistemas reais, lidando com incidente real, custo real, auditoria real e cliente real, o aprendizado muda de nível.
Às vezes uma conversa de corredor economiza meses de tentativa e erro.
O profissional de DevOps precisa ser cada vez mais multidisciplinar
Depois desses dois dias, ficou ainda mais evidente que o profissional moderno de DevOps não pode se limitar a uma única ferramenta.
Você não precisa ser especialista em tudo. Isso seria impossível. Mas precisa ter repertório para conversar com várias áreas:
- Cloud
- Linux
- Redes
- Containers
- CI/CD
- Segurança
- Observabilidade
- IaC
- FinOps
- GreenOps
- Platform Engineering
- IA aplicada à operação
- Comunicação com times
E sim, idiomas também entram nessa lista. Inglês continua sendo praticamente obrigatório para documentação, comunidade global e carreira internacional. Mas depois de Genebra, fica a recomendação: se for circular pela Suíça, coloque um francês básico no backlog também!
O que vamos trazer para a prática
Voltamos do DevOpsDays Genebra com várias ideias para aplicar nos nossos conteúdos, aulas e treinamentos.
Alguns pontos que fazem muito sentido trazer para a comunidade:
- Como usar IA de forma útil em troubleshooting e análise de causa raiz
- Como pensar em Kubernetes além do “kubectl apply”
- Como conectar DevOps com segurança, custo e sustentabilidade
- Como preparar profissionais iniciantes para um mercado que exige fundamento, mas também visão moderna
- Como falar de carreira sem vender ilusão
- Como formar gente capaz de operar tecnologia de verdade
Porque no final, esse é o ponto: evento bom não é aquele que só te empolga. É aquele que te faz voltar com perguntas melhores e vontade de aplicar.
Recapitulando
O DevOpsDays Genebra reforçou algumas mensagens importantes:
- DevOps continua vivo, mas muito mais maduro
- IA está entrando forte em operações, mas precisa de critério
- Kubernetes continua relevante, mas agora a conversa é sobre operação, segurança, governança e experiência
- GreenOps e eficiência vão ganhar cada vez mais espaço
- Soberania digital já é um tema de arquitetura
- Comunidade continua sendo uma das melhores formas de acelerar aprendizado.
E, por fim: inglês é essencial, mas francês teria salvado a gente em alguns momentos por aqui… hahaha.
Vamos ficar mais alguns dias por aqui visitando algumas empresas, mas o plano pra volta é simples: organizar os aprendizados e transformar tudo isso em conteúdo prático para vocês. Porque tecnologia boa não é só aquela que impressiona no palco. É aquela que você entende, testa, adapta e consegue aplicar no mundo real.